
Por que pessoas com Autismo se batem ou se mordem?
Os comportamentos de autoagressão, como bater em si mesmo, morder-se ou puxar o próprio cabelo, são manifestações que podem ocorrer em algumas pessoas dentro do espectro autista.
Esses comportamentos não devem ser interpretados como “birra” ou “agressividade sem motivo”, mas sim como formas de comunicação, autorregulação ou resposta a sobrecargas sensoriais e emocionais.
Segundo o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), o Transtorno do Espectro Autista (TEA) envolve alterações na comunicação social e padrões restritos e repetitivos de comportamento.
Em muitos casos, a autoagressão surge como uma tentativa de lidar com situações que a pessoa não consegue expressar verbalmente ou compreender emocionalmente.
De acordo com Temple Grandin (2011), pesquisadora e pessoa autista, esses comportamentos podem ser respostas a uma sobrecarga sensorial — quando sons, luzes, toques ou ambientes muito estimulantes causam desconforto extremo.
Bater-se ou morder-se pode gerar uma sensação de controle ou aliviar momentaneamente a tensão interna.
Pesquisas publicadas no Journal of Autism and Developmental Disorders (Symons et al., 2005) indicam que a autoagressão também pode estar relacionada a dificuldades na regulação emocional e na comunicação de necessidades. Quando a pessoa não consegue expressar dor, frustração, fome ou ansiedade de forma adequada, pode recorrer a essas ações como uma maneira de “comunicar” o que sente.
Além disso, problemas médicos subjacentes (como dor de dente, refluxo, otite ou constipação) também podem ser fatores desencadeantes. Um estudo da Autism Research Institute (2020) destaca a importância de investigar causas físicas antes de interpretar o comportamento como apenas emocional ou comportamental.
O tratamento deve ser multidisciplinar, envolvendo acompanhamento médico, psicológico e terapêutico (como a Análise do Comportamento Aplicada – ABA), com foco na identificação da causa e no ensino de formas alternativas de comunicação e autorregulação.

Referências:
American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – 5th Edition (DSM-5). Washington, DC: APA, 2013.
Grandin, T. (2011). The Way I See It: A Personal Look at Autism and Asperger’s. Future Horizons.
Symons, F. J., et al. (2005). “Self-Injurious Behavior and Pain in Individuals With Developmental Disabilities.” Journal of Autism and Developmental Disorders, 35(5), 537–547.
Autism Research Institute. (2020). Understanding Self-Injurious Behavior in Autism.
Oliveira, A. C., & Assis, F. M. (2021). “Comportamentos autoagressivos no autismo: uma revisão integrativa.” Revista Psicologia em Pesquisa, 15(2).
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