Quero explicar algo importante sobre mim. Se às vezes pareço procurar alguém apenas quando preciso de ajuda financeira, isso não é por interesse ou frieza. É consequência da minha história de vida. Quando nasci, a minha mãe afastou-me completamente do meu pai biológico, dizendo que ele poderia me roubar dela. Nunca o conheci, nem sequer por fotografia. Aos três anos, ela mudou-se para uma cidade a três dias de distância. Só fui viver com ela entre os seis e sete anos. Nessa altura, ela vivia com um namorado que eu, ingenuamente, acreditava ser meu pai. Durante esse período, fui abusada sexualmente por ele. Mais tarde, também fui abusada por um amigo da minha mãe, alguém em quem ela confiava muito. Aos 14 anos fui violada de forma violenta, ao ponto de perder sangue. Aos 15 engravidei de um namorado de 17 anos. Aos 18, mesmo sem querer, engravidei novamente dele. Aos 21 anos engravidei outra vez, porque ele não queria que eu tomasse anticoncepcional. Depois, ele e uma amante bem mais velha decidiram tirar a vida do meu filho — e quase tiraram a minha também. Perdi o bebé e fiquei três dias inconsciente no hospital. Depois disso, fui viver com a minha mãe, com os meus dois filhos pequenos — um com três anos e outro com um ano. Muitas vezes não tínhamos o que comer. Houve dias em que deixava de me alimentar para garantir comida para as crianças. Eu e a minha mãe vendíamos lanches à beira da estrada para sobreviver. Demorei muito tempo para conseguir trabalho. Era muito jovem e sem experiência. Em alguns bares onde tentei trabalhar, também sofri abusos. Depois de muito sofrimento, consegui fazer um curso de segurança com duração de 15 dias. Houve períodos em que comia dia sim, dia não. Após sete anos, consegui finalmente trabalhar na área da segurança. Trabalhava 12 horas por dia, quase todos os dias, muitas vezes debaixo de sol escaldante, sempre em pé. Enfrentei muitos riscos e chantagens por parte de colegas de farda. Por ser considerada bonita, mas muito reservada e desconfiada, sofria represálias por me recusar a envolver-me sexualmente com eles. Depois de 10 anos nessa área, decidi recomeçar do zero em Portugal. Os meus filhos já estavam adultos, mas a minha mãe estava doente e dependia de mim. Sem aposentadoria, eu precisava enviar dinheiro para ela e para os meus filhos, enquanto tentava sobreviver em Portugal. Ainda hoje estou a tentar reconstruir a minha vida no meio desta longa história.
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